Entre Parentes
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Shirley

Entre Parentes

Parece sem sentido o ato voluntário de escrever. Escrever a quem e para quê? Escrever aos parentes para falar de um mundo amplo, tão amplo que não cabe nos olhos vivos, languidamente desenhados, tristemente desviados. Escrever com gosto, com cheiro forte, sobre um diálogo apimentado em um espaço vasto, tão vasto que arrodeia toda a nossa existência e, se deixarmos, pode mesmo nos engolir como aquele peixe grande.

 

Coisas além de nós!

Parando de sombra em sombra pra sentir o tempo. E eis que ele passa e nem me percebe. Olho para o pico do céu; quero ver a vastidão, o mistério que explica a autodestruição. Para todos os lados, no horizonte, é outra natureza, são outros seres. Querem que acredite. Em volta da fogueira, na floresta, na periferia da aldeia global, onde os rios se esgotam, não há mais o que fazer. Pessoas espalhadas, dispersas, unidas na agonia de vários carnavais. Mesmo assim é bom estar no paraíso. Todo limbo e purgatório nem chegam a ser um pesadelo perto do desejo de estar aqui. Gente demais por aqui; por lá, bem mais. Tem muita gente nessa Terra. Tem muitos povos e poucos deuses. Tem mais gente do que qualquer dos outros bichos. Gente que diz que você não é gente. Gente que deixa nascer o indigente. Gente de dentro de casa, gente do convívio da gente. Não gosto de pensar essas coisas. Deixa correr o tempo minha gente!

A Revolução Interior

Há um monstro bom dentro de você. O monstro da autosuperação; aquele que acredita em você mais do que ninguém, lhe protege e lhe mantém vivo.  Este monstro bom espera que viva bem e que seja por muito tempo, pois, da sua vida, depende a vida dele.

Em nosso dia a dia recebemos vários sinais da manifestação desse ser. É ele que pede para você ser justo, lhe orienta a ser honesto e lhe alerta para o valor da gratidão.

Ele fala em sonhos, em sensações, e afasta os riscos camuflados. É ele que ouve seus lamentos de ser um humano, de certa forma, limitado e emocionalmente volúvel.

Não é fácil perceber sua manifestação; ele é bom e age com mansidão. Não está na religião nem na educação. Isto de que lhe falo é algo que já vem junto com a origem de todos nós.

Todos temos esse monstro interior. Monstro porque é forte e sua força é aplicada contra o que lhe faz sofrer, o que tenta lhe oprimir, escravizar.

Salve o monstro! Salve aquele que ajuda em nossa Revolução Interior!

O RORAIMENSE

Obra de autoria de Amazoner Okaba e Jaider Esbell - 2014.

Já nasceu órfão.

Foi salvo porque o guia, velho, vivido e obstinado, cortou a barriga da mãe logo depois da morte. Só havia isso a fazer e o velho terçado cortou a carne morta. Para o velho, era como se fosse mais um dia de trabalho. Era o açougueiro da vila e com o lucro comprou o barco que fazia frete e, vez ou outra, ia junto, permutando com o outro guia.

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Par - entes

O par é a medida exata para a interação.

Será por isso que se fala tanto em divisão?

Por isso é que todo mundo quer um irmão?

Dois Brasis? Um certo e outro na contra mão?

Quem chegará na final, quem será o campeão?

Saiu atrás de solução, esqueceu de olhar o chão.

Cadê o diploma? Tenho não doutor, sou isso não.

Meu querer é união, divisão de pão e mais perdão.

Meu calo já secou, o lago secou e ainda há tanto ão.    

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QUANDO A GENTE PENSA NA VIDA

Temos a TENDÊNCIA de pensar que agora somos modernos e que muitas coisas já não têm a mesma importância de ANTIGAMENTE. Sempre somos tentados a levar a vida por esse lado; deixar que o acaso nos encaixe nas coisas, com a ideia de que

seguimos, juntos, como puder, no bolo. Pensamos até mesmo que temos o direito, mas logo recuamos porque dá trabalho. Ás vezes, nem sabemos que vivemos tristes e nunca experimentamos a tal de felicidade. Negamos, a toda hora, o fato de que algo poderia

estar melhor e não despertamos para o querer. Quando a beleza da mocidade cai na altura de ofuscar, embobecer, a vida avança mesmo assim. Nesse tempo investido na INEXISTÊNCIA, no ócio depreciativo, cria-se um vácuo, um vazio de REFERÊNCIA, que

encaminha o SER HUMANO para o caos. Somos todos partes desse novo homem, dessa nova categoria de ser, inexplicável. Estamos todos conectados, de algum modo, a tudo; de outro modo, a nada.

O que você vai fazer quando crescer?

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