Vice & Versa
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Shirley

Deputada Shéridan

Foto: Lane Prata

Nas eleições de outubro de 2014, Shéridan (PSDB) foi eleita com 35.555 votos, sendo a deputada federal mais votada de Roraima em todos os tempos. Na Câmara dos Deputados tem tido uma atuação participativa como membro titular da Comissão Permanente de Seguridade Social e Família; de Combate à Violência Contra a Mulher, do Congresso Nacional. É suplente das comissões permanentes de Educação; e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Também é membro titular da Comissão Especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição 251/00 - Demarcação de Terras Indígenas; e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a realidade do Sistema Carcerário Brasileiro. Foi primeira-dama do Estado de Roraima e secretária da Promoção Humana e Desenvolvimento. Seu nome é dos mais cotados para disputar a Prefeitura de Boa Vista nas eleições de 2016.


O que você fazia antes de entrar na vida política?

Fui mãe muito jovem e desde cedo assumi muitas responsabilidades. Estudei Jornalismo em Recife (PE), onde também atuei com produção e realização de eventos. Em Boa Vista trabalhei como repórter no Jornal Folha, fui assessora chefe de comunicação da Câmara Municipal de Boa Vista e atuei na coordenadoria de Comunicação do Governo do Estado de Roraima. Em dezembro de 2007 me tornei primeira dama de Roraima e, a partir de março de 2008, assumi a titularidade da Secretaria Extraordinária da Promoção Humana e Desenvolvimento, onde fiquei até março do ano passado.


Qual a principal lição de vida você tirou quando foi repórter?

A importância da transparência da informação, além do compromisso de atuar sempre com imparcialidade. Ter a responsabilidade de ouvir todos os lados, afinal jornalistas são profissionais formadores de opinião e tem compromisso com a verdade.


Como foi ser primeira-dama do Estado de Roraima?

Ser primeira-dama do Estado que nasci e me criei, onde constituí família e minhas filhas nasceram foi uma honra imensurável. Como primeira-dama fiz um trabalho diferenciado e inovador. Tive a chance de, por meio da execução de políticas públicas, fazer mais pelo povo de Roraima. Sempre acreditei que onde existe vontade de trabalhar e determinação, o resultado é questão de tempo. Assumi a Secretaria Extraordinária da Promoção Humana e Desenvolvimento e a Coordenação Geral de Ações Sociais do Governo de Roraima, onde coordenei e criei programas jamais vistos, uma política inovadora de assistência social que, efetivamente, mudou a vida de milhares de famílias roraimenses. O resultado do trabalho e da dedicação foi receber honrarias e ser destaque nacional e internacional, como exemplo de política pública.


O que mais mercou você como primeira-dama do Estado?

Ver meu trabalho refletido na vida de milhares de pessoas, como no Viva Comunidade (Centro de Atenção à Pessoa com Deficiência), onde pude acompanhar de perto o desenvolvimento de cada menino e menina atendidos na Unidade. Fico emocionada quando me lembro de crianças que não tinham, sequer, a expectativa de andar e que deram seus primeiros passos no Viva, com o auxílio dos profissionais que ali atuavam. Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de fazer o bem pelas pessoas.


Quais projetos você desenvolveu e que fizeram a diferença na vida do povo roraimense, quando você foi secretária da Promoção Humana e Desenvolvimento?

Enquanto estive à frente das ações sociais do Governo de Roraima, implantei programas e coordenei várias ações inovadoras e responsáveis pela melhoria da qualidade de vida de milhares de roraimenses. Entre eles, está o Cuidar (Programa de Complementação Alimentar), que à época, atendia mais de 10 mil crianças em todo o Estado; além do Crédito Social (Programa de Transferência de Renda) que em respeito às pessoas, foi reformulado substituindo filas por cartões. Dessa maneira os usuários podiam sacar o benefício ou usar o cartão na modalidade débito. O crédito atendia mais de 50 mil famílias em todo o Estado com o repasse mensal de R$120 a cada beneficiário.

Paralelo aos programas, desenvolvemos várias ações sociais, como o Mutirão da Cidadania, que contemplava os mais diversos públicos oferecendo atendimentos médicos e emissão de documentação básica. A tradicional Semana Estadual da Mulher, que oferecia, exclusivamente, ao público feminino diversos serviços e atendimentos. O Mulheres Rurais que reunia agricultoras de todos os municípios do Estado e ofertava cursos e oficinas de capacitação, palestras educativas, apresentações culturais, concurso de beleza, atendimentos em saúde e estética, além da emissão de documentos básicos.

Mas o programa que mais tocou meu coração foi, sem dúvidas, a Rede Viva, que foi o trabalho de maior destaque, com reconhecimento nacional e internacional, que fez com que Roraima se tornasse exemplo de política pública bem desenvolvida.

O Viva Criança, uma casa de acolhimento infantil que atendia crianças com idade entre 0 e 12 anos vítimas de abandono, maus tratos ou violência. Com a implantação do Viva Melhor Idade nos tornamos referência no que diz respeito à política de atenção ao Idoso, a Unidade oferecia diversos atendimentos e serviços a mais de 600 pessoas com idade acima de 60 anos.

E o Viva Comunidade, onde mais de 700 pessoas com deficiência eram atendidas. O trabalho de excelência desenvolvido nesta unidade nos rendeu vários prêmios e reconhecimento nacional e internacional.

Ao sair do governo deixei a última unidade da Rede Viva em fase de construção, o Viva Juventude. Uma estrutura ampla que tinha como proposta oferecer o desenvolvimento integral a cerca de 2 mil jovens, com a oferta de cursos profissionalizantes, atividades culturais, esporte e lazer.

Execução e implantação de trabalhos nunca vistos em nosso Estado. Inovamos e hoje posso dizer que me orgulho muito por ter feito parte do início de um novo capítulo da história da política social em Roraima.


Que percepção você tem sobre a realidade da vida do povo de Roraima?

Nos últimos anos Roraima se estruturou e tem passado por um processo natural e irreversível de desenvolvimento. Nosso Estado é jovem, mas tem um grande potencial. O mercado tem crescido e atraído empreendedores, várias marcas nacionais têm investido na implantação de filiais aqui por acreditar no comércio. Paralelo a isso presenciamos, recentemente, a inauguração de dois shoppings, nova oportunidade para os roraimenses com a geração de emprego e renda.


Qual foi o momento em que você decidiu concorrer a uma vaga à Câmara Federal?

Concorrer a uma vaga na Câmara Federal foi uma decisão amadurecida ao longo dos anos. À frente da coordenação, percebi, que por meio do trabalho, poderia fazer muito mais pelo meu Estado e pelas pessoas que nele vivem. Minha opção em me tornar política selou minha relação de compromisso com minha gente.


Durante a campanha política, em busca de votos, que momento ficou registrado em sua memória?

Duas semanas antes do dia 5 de outubro recebi uma ligação emocionada da minha filha Júlia. Ela estava bastante envolvida no processo de campanha e junto com um grupo de amigos realizava visitas pedindo votos.

Ao sair de uma casa no bairro Cruviana ela me ligou e disse que sentia muito orgulho de mim. Falou que sabia que eu era muito querida, mas não imaginava a proporção disso. Júlia acabava de visitar a mãe de um dos usuários do Viva Comunidade, que relatou ser muito grata pelo trabalho que eu fiz. Aquela senhora disse que eu fazia tudo como se tivesse a experiência de ter um filho com deficiência e saber todas as dificuldades enfrentadas. O carinho daquela família emocionou minha filha.

Quando a gente valoriza a família e a tem como referência, sabemos a importância de ser exemplo e inspirar nossos filhos a seguirem nossos comportamentos. Ouvir da minha filha que sou orgulho como mãe e mulher foi um dos momentos que mais me marcou.


Você acreditava que seria eleita e com essa votação recorde?

Acreditava no resultado do trabalho que desenvolvi ao longo de seis anos, mas não esperava um número tão expressivo de votos como recebi, minha primeira candidatura e logo no início da minha trajetória política ser a deputada federal mais bem votada da história de Roraima me deixou muito feliz. Hoje tenho um compromisso a ser cumprido e sei que ainda tenho muito a fazer pelo meu Estado.

 

E na Câmara dos Deputados, como está sendo sua estratégia de atuação como deputada federal?

A Câmara dos Deputados é um ambiente completamente diferente do que eu atuava. O momento é de total dedicação. Saio do Executivo para o Legislativo e, sem dúvida alguma, vou aproveitar minha experiência para uma boa atuação como parlamentar.

 

Qual tem sido o trabalho desenvolvido, como integrante titular da Comissão Permanente de Seguridade Social e Família?

Ser membro dessa comissão me garante a oportunidade de continuar e ampliar os trabalhos desenvolvidos por meio dos projetos sociais que coordenei no Estado. Tenho a oportunidade de discutir projetos que envolvem iniciativas das áreas de assistência social e previdência.

Já participei de audiências públicas importantes na comissão e da aprovação de vários projetos. Sou relatora do projeto que institui o programa de Teleassistência ao Idoso, consegui aprovação do meu requerimento que solicita uma audiência pública para discutir o tema. 

Há uma preocupação com relação ao índice de suicídio entre jovens. De acordo com dados do mapa da violência, houve aumento do índice de suicídio entre os jovens, pensando nisto, protocolei requerimento de audiência pública para discutir a temática.

 

Você também faz parte, como membro titular, da Comissão Permanente Mista  de Combate à Violência Contra a Mulher, que reúne deputados federais e senadores. Como tem sido esse trabalho em conjunto e o que se pretende fazer para reduzir altos índices de violência contra a mulher?  

A comissão ainda está avaliando as melhores propostas para combater a violência contra a mulher. Sou relatora de um projeto que eleva as penas para o Feminicídio e criminaliza a violência psicológica contra a mulher. Inclusive, foi aprovado meu requerimento para a realização de audiência pública para discutir o Feminicídio, que modifica o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) para incluir entre os tipos de homicídio qualificado o Feminicídio, definido como o assassinato de mulher por razões de gênero.

Serão convidados a delegada Ana Cristina Santiago (da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher); o cientista político e assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional do Brasil, Maurício Santoro; a juíza do I Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Adriana de Mello; e a técnica de Pesquisa e Planejamento do IPEA, Leila Posenato Garcia.


Como você concilia o trabalho com a casa e as filhas?

O dia a dia é corrido, mas sou mulher e consigo fazer “mil coisas ao mesmo tempo” (risos). Ao sair já deixo as orientações para a rotina da casa. Minhas filhas, desde muito pequenas, sempre foram compreensivas. Elas sabem que são prioridade em minha vida e entendem que meu trabalho me faz feliz, mesmo quando preciso me ausentar um pouco. 


E a pergunta que não quer calar: você aceitará o convite para ser candidata a prefeita de Boa Vista?

Por enquanto estou focada no trabalho que vou desenvolver na Câmara. É muito cedo para falar algo a respeito das próximas eleições. Qualquer decisão que eu tomar será pautada pela vontade em oferecer o melhor de mim ao meu Estado e minha cidade.